quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Capítulo 8 - O gênio de Trabia

Quistis andou até a bancada, tomando o lugar de Squall. Ela sorriu e acenou, e começou a falar.

- Estou muito orgulhosa por preencher este cargo de muito prestígio e garanto que minha dedicação será total quanto à nossa qualidade de ensino e treinamento. E hoje a noite, teremos a tão esperada cerimônia de comemoração aos formandos de hoje! Todos estão convidados e garanto que será a melhor festa que esta Garden já teve!

Quistis foi ovacionada com aplausos e urros de festejos. Seu grupo pessoal de fãs, os Trepies, eram os mais empolgados com a notícia. Squall havia deixado o local durante o discurso de Quistis, o que alguns estudantes comentaram discretamente.

- Ela tá estranha. – Disse Simon, chamando a atenção de Cliff.

- Hm?

- Ela parece estranha. Preocupada.

Cliff tentou perceber algo, mas não conhecia a instrutora Quistis tão bem assim. Além do mais, não era um bom observador.

Alguns minutos depois, todos foram dispensados.


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Faltavam apenas mais algumas horas para o tão esperado baile de formatura. Quistis estava em sua nova sala, fazendo a arrumação básica de mudança. Aquela seria sua nova área de trabalho e lá estava ela, orgulhosa, mais comprometida do que nunca.

Estava feliz, porém apreensiva.

Quistis ouviu uma batida na porta, e sem perguntar quem era, ordenou que entrasse.

- Senhorita Trepe, podemos conversar? – Perguntou Icy.

Quistis virou para ver quem era, e deu um sorriso, chamando-o para se sentar.

- Olá, Joham. – Quistis virou-se para o rapaz, deixando de lado a arrumação.

Icy trajava o uniforme de gala dos SeeDs, o mesmo que Xu e Sanz trajavam durante o teste. Os formandos usariam aquele uniforme durante o baile. E com muito orgulho.

O rapaz adentrou a sala e se sentou no assento diante da mesa da chefe da Garden.

- Diretora, sobre a missão de hoje... acho que sei como aqueles monstros chegaram até Dollet.

Quistis riu, mas deixou que prosseguisse.

- De acordo com os relatórios que li, houve uma onda de monstros que surgiram de pontos aleatórios da cidade. Não houve movimentação pelo mar, algo que também seria bastante improvável, pois as criaturas não faziam parte do ecossistema local. – Disse Icy, analítico.

- E qual seria o seu palpite? – Perguntou Quistis.

- Alguém está utilizando a tecnologia do Light Pilar.

Houve uma pausa, agora uma Quistis pensativa encarava o rapaz. Lembrou-se de quando esteve no antigo e abandonado Laboratório de Pesquisas Marítimas, isolado, perdido no meio do oceano. Um lugar que resolveram explorar unicamente por aventura, e certamente encontraram o que queriam. Naquele bizarro laboratório, Quistis e seu grupo haviam se deparado com um estranho mecanismo de defesa: um pilar de luz que se acendia periodicamente. Uma vez aceso, o pilar detectava ações de movimento e então invocava monstros poderosos a partir do nada, para impedir mais avanços.

- Como foi que chegou a essa conclusão?

- Além da análise dos fatos, eu deveria dizer que eu ajudei meu pai a construí-lo.

E então Quistis lembrou-se do histórico daquele jovem promissor. Seu pai, um conceituado cientista de Esthar que conseguira fugir da cidade durante a ditadura da feiticeira Adel, recomeçou a vida no continente de Trabia onde constituiu família. Quando Icy tinha doze anos, seu pai havia conseguido uma vaga num importante projeto de pesquisas marítimas, foi quando seu contato com ele começou a se restringir. Icy via o pai apenas de seis em seis meses, e em uma destas visitas, o já pequeno garoto prodígio ajudou seu pai na construção de um complicado mecanismo de segurança. Sempre fora um gênio. Poderia ter sido como seu pai, mas queria se tornar um SeeD. Ele certamente estaria orgulhoso do filho se estivesse vivo, pensou Quistis.

A partir de seus quatorze anos, seu pai não retornou mais. Jamais ouviram falar do projeto novamente. O laboratório fora abandonado. Caiu no esquecimento.

- Isso é intrigante, Joham, devo admitir, mas a missão já foi concluída. Isso não faz muita diferença agora.

- Mas pode significar algo! – o rapaz protestou. – Pode haver algo maior por trás disso! Por que não manda uma equipe ao laboratório?

- No momento não é uma boa idéia, Joham. Temos outras prioridades.

- Eu poderia assumir a missão, diretora. Você poderia cortar os gastos do meu salário.

Quistis sorriu gentilmente para o rapaz, e com leveza e paciência, foi até ele, pondo uma mão em seu ombro, encarando-o através de seus óculos, seu olhar também encontrando as lentes dele.

- Joham... Eu sei que você ainda espera ter notícias de seu pai. Mas eu já estive lá, e acredite, não há mais nada lá além de máquinas e monstros.

Icy engoliu um seco e manteve-se calado. Concordou por fim com Quistis.

- Certo. Obrigado pela atenção, diretora. – disse um rapaz, sorrindo gentilmente e saindo da sala.

Quistis voltou até sua mesa, onde se recostou na cadeira e relaxou. Ou ao menos tentou.

- Espero que você saiba o que está fazendo, Squall...

Capítulo 7 - Salve a rainha

Não demorou muito para que estivessem novamente reunidos. Os cadetes da Equipe A agora saberiam se foram bem-sucedidos ou não, junto com mais outros cadetes que cumpriram a mesma missão. Todos ocupavam o saguão das salas de aula do segundo andar. Todos apreensivos.

Aquela meia-hora durou uma eternidade. Cinco minutos depois do tempo dado, um dos staffs da Garden era visível trazendo uma relação em suas mãos. Este pediu espaço, foi até a parede e colou-a lá. Logo, um aglomerado de cadetes se amassou entre si para conferir os nomes no papel.

Alguns gritaram de excitação, outros viraram as caras, decepcionados. Cliff conferiu, junto com Simon e Trevor, com Icy tentando olhar entre os ombros. Todos estavam na lista, que possuía oito nomes.

[i]Baker Fawlake
Cliff Alford
Gwen Fillmore
Joham Braska
Lenneth Windflow
Linna Skyhigh
Simon Darwin
Trevor Allond[/i]

Icy soltou uma gargalhada aguda e abraçou o primeiro que viu em sua frente. Simon retribuiu o abraço, dando tapas nas costas do rapaz. Trevor e Cliff também trocaram abraços com seus companheiros.

- Já temos uma roupa bacana pro baile de hoje! – Disse Icy, ainda rindo.

Logo em seguida, uma voz podia ser ouvida pelo corredor, diretamente dos alto-falantes.

- Atenção todos os estudantes, formados e formandos. Convoco todos para uma reunião dentro de dez minutos que ocorrerá no [i]Auditório.[/i]

Os rapazes sabiam quem era. O diretor atual da Garden, Squall Leonhart, que assumiu o poder com a retirada de Cid.

Os rapazes decidiram ir naquele mesmo instante, já que o Auditório da Garden se encontrava no mesmo andar, em uma das inúmeras salas daquele corredor. Chegando lá, já havia uma concentração de pessoas, e mais chegavam. SeeDs, cadetes e, no palanque, alguns instrutores que cochichavam entre si.

Os rapazes sentaram numa fileira de cadeiras que até então estava desocupada. Logo, mais SeeDs e cadetes foram tomando lugar. Inclusive uma que chamou a atenção de Trevor, dirigindo-lhe a voz.

- Ei, com licença.

- Hm?

- Este lugar está vago? – Disse a garota, referindo-se ao assento ao lado de Trevor, que demorou um bocado para dizer que não.

A garota realmente chamava a atenção. Possuía uma beleza exótica. Seus lábios eram fartos como seus seios, e sua pele era levemente bronzeada. Os olhos pareciam duas amêndoas, tão negras quanto seus longos cabelos, que eram lisos mas se ondulavam ligeiramente em algumas partes. Trevor olhou em volta e reparou que, de fato, aquele era o último lugar vago daquela fileira. O que era bom, mas de certa forma nem tanto, pois demonstrava que ela havia se sentado ali por ser sua última opção.

Cliff observou aquela atraente garota interagindo com seu parceiro e por um segundo lembrou-se da menina que salvara em Dollet.

Sua atenção logo foi voltada para o palco, quando Squall Leonhart adentrou e foi recebido com aplausos. Algo que o incomodava infinitamente.

Os rapazes, que agora eram SeeDs, observaram que Squall trajava roupas casuais, e não o uniforme de chefe da Garden (que era, basicamente, idêntico ao dos instrutores SeeDs). Usava sua jaqueta negra com penas brancas, uma vestimenta que ele se acostumou a evitar em suas perambuladas casuais pela Garden, graças ao clima temperado estável (principalmente no Centro de Treinamento, a área mais freqüentada por ele). Era raro ver Squall vestido como diretor da Garden, coisa que ele só faz quando precisa falar oficialmente em público. Como agora.

- Primeiramente, gostaria de parabenizar os SeeDs recém-formados hoje. Mas sem mais delongas, devo dizer que eu os reuni aqui para anunciar uma mudança extremamente importante.

Houve uma pausa e um burburinho entre os espectadores.

- Como todos já sabem, Cid Kramer, nosso antigo reitor, se aposentou e me deixou o cargo de chefe da Balamb Garden, um cargo que não é bem preenchido por mim. Estive conversando com Cid nesta última semana a respeito de uma nova pessoa para comandar esta enorme família, e juntos chegamos a uma conclusão.

Houve outra pausa, mas desta vez, silêncio, até que Squall voltou a falar.

- Recebam a nova chefe da Garden. Quistis Trepe.

Capítulo 6 - Invasão Bizarra

O monstro avançou novamente, recebendo uma saraivada de flechas da besta de Simon, que acertaram as feridas abertas pelas estalactites de gelo. A criatura uivou de dor e investiu com a cabeça, acertando Icy que foi lançado alguns metros. Trevor, que havia evitado a investida com sucesso, avança contra a criatura e acerta seu flanco com a gunblade, abrindo uma ferida larga e horizontal, que no mesmo instante fora cicatrizada. A criatura se debateu para o lado na tentativa de acertá-lo, mas foi novamente evitada com um salto pra trás de Trevor.

- Afastem-se! – Gritou Cliff que, com a maça em mãos, avançou contra a criatura e golpeou seu torso, afundando as flechas de Simon contra sua carne.

A criatura rugiu em fúria e se preparou para uma nova investida, mas se deu conta de que não se movia. Estava presa ao solo por crostas de gelo que Icy havia criado em suas patas, à distância, invocando o gelo do chão.

O suficiente para deter uma investida, mas não outra.

A criatura virou bruscamente a cabeça, acertando Trevor com um dos chifres no braço. O sangue desceu farto, mas o rapaz não recuou. Abriu a mão direita em direção a besta e lançou uma labareda que cobriu todo o seu flanco direito. Cliff recuou no momento certo, evitando ser acertado pelos chifres da criatura. Ergueu novamente sua maça e acertou o crânio da criatura, o sangue esverdeado espirrou farto e a criatura tombou débil.

- Um Behemoth. – Icy disse, ajeitando os óculos e voltando para perto dos companheiros. – Sem dúvidas, não deveria estar aqui.

Cliff viu o ferimento de Trevor, e foi até ele.

- Eu tô legal. – Disse o rapaz. – Icy, como você acha que esse animal chegou até aqui?

- Não faço idéia. Por enquanto. – Respondeu.

Cerca de meia-hora depois, o grupo recebeu o aviso de um dos cadetes de outra equipe que a ordem de retirada fora dada. Seu trabalho havia terminado ali. No trajeto de volta ao submarino, mais civis podiam ser vistos nas ruas, alguns aplaudiam a passagem dos cadetes. Cliff olhava em volta para ver se encontrava a tal garota que havia ajudado, sua imagem recente ainda fresca em sua memória. Possuía olhos muito azuis e longos cabelos negros com uma franja que lhe cobria gentilmente pequena parte do rosto. Seu corpo de menina lhe dava belas curvas acentuadas, pernas singelas e aparência frágil.

Precisava ser protegida.

Cliff tentou se convencer de que aquela jovem estava bem, e voltou para o submarino com os outros. Lá, encontraram Sanz e Xu, e voltaram para Balamb.

- Bom trabalho, rapazes. – Disse Xu. Sanz observava seus alunos, satisfeito. Realmente fizera um belo trabalho selecionando-os.

Chegando em Balamb, embarcaram novamente no carro rumo a Garden. No caminho, os rapazes conversaram sobre a missão e se divertiam. Mesmo Icy que ainda estava intrigado sobre a situação que ocorrera. Behemoths só habitam ilhas distantes e cavernas profundas. Como um deles fora parar em Dollet?

- O Cliff acertou um belo golpe no bichão. – Disse Trevor, enfaixando o braço ferido com a ajuda de Xu.

- E você fez churrasco dele. – Brincou Cliff.

Os cadetes das equipes que prestaram o teste chegaram quase simultaneamente, alguns já haviam chegado minutos antes. Xu reuniu os cadetes novamente no meio do salão principal, onde se pronunciou.

- Todos fizeram um bom trabalho hoje, quero parabenizá-los. – Disse com um sorriso. – É claro que nem todos serão aprovados, mas digo que não desanimem. Treinem duro sempre. O resultado sairá em meia-hora, no segundo andar fiquem atentos. E a noite teremos o baile de celebração aos novos SeeDs, e todos estarão convidados. Estão dispensados.

Os cadetes se dispersaram, tomando seus rumos. A maioria estava ansiosa demais para fazer outra coisa, portanto decidiram rumar para o segundo andar e esperar o posicionamento dos instrutores.

- E aí, o que vocês vão fazer agora? – Simon perguntou.

- Eu irei tirar essa roupa. – Cliff respondeu.

- Acho que todos nós vamos fazer isso primeiro. – Disse Trevor. – Nos encontramos lá em cima.
E os cadetes seguiram para a ala de dormitórios.

Capítulo 5 - De volta à Dollet Parte 2

Os cadetes, que agora eram chamados de Candidatos-SeeD, sentaram-se nos assentos que formavam uma pequena sala no interior do submarino. Xu estava de pé, assim como Sanz, no lado oposto da veterana.

- Senhores candidatos ao cargo de SeeD, me chamo Xu, e sou a SeeD responsável pela aplicação dos exames. Ano passado tivemos um exame semelhante a este, quando as tropas de Galbadia ocuparam a cidade de Dollet. Hoje nós recebemos o chamado do Prefeito da cidade, nos requisitando novamente para uma missão parecida.

Xu explicou a missão detalhadamente. Uma estranha horda de monstros desconhecidos na região está atacando pontos estratégicos da cidade, e as tropas locais estão sendo insuficientes para detê-los. Graças aos fatos decorrentes, o Prefeito de Dollet contratou os SeeD como reforço, para patrulharem as áreas de risco da cidade e evitar o avanço das criaturas.

- Para esta missão, nós utilizaremos três equipes. – Xu prosseguiu. – Vocês são a Equipe A, responsáveis por patrulhar a [i]Avenida Principal[/i], onde se encontra a prefeitura de Dollet.

Os rapazes gesticularam com a cabeça, dando um sinal de entendimento. Cliff se deu conta da responsabilidade que sua equipe teria nesta missão. Seria pelo fato de haver um gunblader no time? Por um momento se sentiu inseguro, mas com uma gunblade ou não, confiava em suas habilidades. E era bom. Sabia que, de fato, merecia aquela missão.

- Alguma dúvida? – Perguntou Xu.

Os cadetes fizeram que não, com a cabeça.

- Ótimo. - Disse Xu, sorrindo. – E lembrem-se do protocolo de campo. A ordem de retirada tem prioridade máxima.

- Entendido, instrutora. – Disse Trevor.

Todos sentiram um pequeno balanço no transporte, que em seguida parou, num tranco. O submarino subiu a terra da praia de Dollet, abrindo as portas e liberando os cadetes que, armados, dirigiram-se em direção à cidade.

Subindo uma escada que separava a praia da primeira rua, eles seguiram por mais algumas ruas repletas de bares até chegarem na avenida principal. As ruas em Dollet eram calçadas com paralelepípedos, o que dificultava de certa forma a corrida. Não havia quase civis nas ruas. Os rapazes contemplaram a prefeitura. Um sobrado singelo, rústico, ainda assim com ar político de imponência.

- Estão com seus GFs equipados? – Perguntou Trevor.

- Positivo. – Disse Icy. Cliff e Simon também afirmaram.

- Ótimo. Essa avenida tem acesso por três ruas. Vamos ficar atentos.

E antes que pudessem pensar em relaxar um pouco, os cadetes ouviram um ganido ecoar por uma das ruas, seguido de um grito. Pela rua que seguia à direita, uma garota vinha correndo em desespero, fugindo de algo que se aproximava.

- Socorro! – Gritou a jovem, assim que avistara os cadetes.

No momento em que se posicionavam para a possível batalha, avistaram a fera quadrúpede que perseguia aquela garota. A criatura era robusta e possuía pouco mais de dois metros, quadrúpede. Em sua cabeça crescia uma crina negra que se arrastava até as costas, e na testa, dois chifres imensos cresciam na horizontal, vagamente arredondados para cima. A pele da criatura era roxa num tom escuro.

Antes que pudesse alcançar sua presa, a garota tropeça, indo de encontro ao chão. Trevor nem precisou gritar para que se abaixasse. No mesmo instante, Icy estica os braços e abre as mãos, gesticulando. Das palmas de suas mãos brota uma coloração azulada e numerosas estalactites de gelo são projetadas em direção à fera que é ferida levemente no dorso. O ataque atrasou a criatura o suficiente para que Cliff pudesse se lançar em direção à garota, tirando-a dali.

A uma distância mais ou menos segura, Cliff ajuda a jovem a ficar de pé.

- Você está bem? – Perguntou.
- Sim, eu...
- Afaste-se daqui! Nós cuidamos daquilo. – Disse, por fim, voltando à batalha agora com sua maça em mãos.

Capítulo 4 - De volta à Dollet

Cliff e Simon caminhavam em direção à ala dos dormitórios, onde deveriam vestir seus uniformes oficiais. Aquela seria uma missão oficial. A primeira de campo. Se falhassem, voltariam à academia. Apesar de tudo, estavam confiantes. No corredor para os dormitórios, se separaram para em breve se encontrarem no hall principal.

Em seu quarto, Cliff vestiu seu uniforme. O traje da Balamb Garden consistia numa calça e jaqueta, ambos azul marinho. A jaqueta possuía detalhes prateados nos ombros, que se interligavam no peitoral. Arrumou-se, guardou a maça num suporte em sua cintura, checou alguns itens e deu uma última apertada em seu bracelete prateado. Ficou alguns segundos olhando para o objeto, e só então saiu do quarto, rumo ao salão.

Simon também foi breve. Assim que se vestiu, checou seus itens e guardou a besta nas costas. Encontrou Cliff no caminho logo em seguida.

- Sabe o mais legal? – Perguntou Simon, respondendo sua própria pergunta logo em seguida. – Dessa vez, vamos poder usar os GF’s pra valer!

Cliff concordou, divertindo-se com a informação. Estava ansioso para poder desfrutar do poder dos GF’s em um campo de batalha de verdade. É claro, havia protocolos sobre sua utilização, e Cliff conhecia muito bem. Era sempre bem-sucedido nos treinos com GF.

- Aliás, qual GF te deram? – Perguntou Simon.


- Ifrit. – Respondeu.

- Interessante! Eu fiquei com Quetzacoatl.

Os rapazes conversaram alguns minutos, até chegarem ao hall principal da Garden. Lá, estava Sanz, trajando seu uniforme de SeeD instrutor. Era semelhante ao dos estudantes, mas sua coloração era preta, e os detalhes prateados eram somados a detalhes dourados. Sanz os cumprimentou. Junto dele, estava mais um rapaz, que também os cumprimentou com um breve aceno.

- Cliff, Simon, este é Joham Braska. – Disse Sanz.

- Pode chamar de Ice. – Disse, sorrindo.

O rapaz usava óculos que se encaixavam muito bem em seu rosto fino. Seus cabelos longos e lisos eram brancos acinzentados, o que dava um certo tom de palidez ao garoto, por ter a pele também muito branca. Sua postura era a de um teórico, mas apesar disso, tinha um corpo em forma.

- Falta mais alguém? – Cliff perguntou.

- Não mais. – Ecoou uma voz não tão longe.

O rapaz louro de palha vinha caminhando da entrada da Garden até o hall, onde cumprimentou os presentes gesticulando a cabeça. Apoiava sua gunblade nos ombros.

- Este é Trevor Allond, o capitão de vocês. – Disse Sanz. – Vocês terão tempo de conversar até o estacionamento. Vamos.

Os garotos seguiram Sanz até a ala de estacionamento da Garden. Lá ficavam os veículos terrestres que conduziam os SeeDs até Balamb, a cidade-porto do arquipélago. Chegando lá, entraram no carro. Durante o caminho, trocaram algumas palavras. Ice alegava ter vindo do território próximo e gelado de Trabia que, após ter sua Garden destruída por mísseis galbadianos, passou a enviar estudantes para Balamb Garden com mais freqüência. Isso não gerou desentendimentos entre ele e Cliff, que contou ser de Galbadia, mas não era familiarizado com sua terra. Simon crescera em Balamb, seu pai era comerciante. Trevor falou pouco. Apenas alegou ter vindo de um pequeno e distante vilarejo chamado Winhill.

Chegando em Balamb, estacionaram no pequeno estacionamento próximo ao porto e desceram. Balamb era uma cidade tranqüila de frente pro mar, com atividades de pesca e uma boa hotelaria. No porto, havia um submarino a bordo, rodeado de monitores da Garden. Um deles, uma velha veterana naquele tipo de exame. Os estudantes seguiram Sanz até o submarino, onde ela estava de pé na entrada.

- Bem-vindos, cadetes. – Disse Xu. – Vamos entrando.

Capítulo 3 - Gunblade Master

Após o término das palavras do instrutor, todos os cadetes avançaram. Embrenharam-se pelas matas caóticas do Centro de Treinamento em diferentes direções, formando táticas. Não foi diferente com Cliff e Simon. Ambos corriam em direções aleatórias, procurando vestígios dos tais dinossauros, mas sem se separarem.

- Acho que estamos sendo seguidos. – Disse Simon.

- Provavelmente querem que nós achemos o ninho primeiro. – Respondeu Cliff, bem-humorado. Simon concordou. Tratava-se do plano amador de deixar que os outros realizem a façanha primeiro, para depois aproveitar-se de seu cansaço. Ainda correndo e olhando para o chão, Simon sorriu.

- Parece estamos no rastro. Vai em frente, deixa que eu cuido dos espertalhões.

Cliff não disse nada, apenas assentiu, enquanto Simon virava para a direita, separando-se do companheiro. Após mais alguns minutos correndo, Cliff parou. Havia encontrado pegadas grandes, porém bem gastas no solo. Seguiu-as com certa dificuldade, mas sem perder o ritmo e a atenção. Encontrou o ninho de baixo de uma pequena ladeira e nele havia dois ovos. Antes que Cliff pudesse descer o pequeno obstáculo atrás de seu troféu, algo explodiu em seu tórax, lançando-o alguns metros de distância. Só houve tempo de ouvir o rugido. Levantou-se rápido com a maça em mãos, e só assim pôde contemplar o majestoso tiranossauro.

- Que merda! – Praguejou.

O tiranossauro investiu feroz, mas desengonçado. Cliff esquivou. Decidira golpeá-lo em uma das pernas, mas seria inútil. Precisava chegar até o ninho. Escorregou a ladeira abaixo e alcançou um dos ovos e, tão rápido quanto chegou, saiu dali, rumo a qualquer direção. Cliff nem se dera conta de que estava correndo a todo vapor numa direção totalmente oposta da qual ele viera antes, e na verdade nem se importava. Alguns minutos após ter despistado o predador, Cliff percebeu uma nova abordagem. Parou de correr. A sua frente, dois cadetes, um armado com uma espada curta e o outro com um chicote.

- O ovo. – Disse um deles.

Cliff não se moveu. Percebeu que se o fizesse, seria detido pelo chicote de um dos cadetes. Analisou bem a situação, e mesmo assim resolveu o fazer. No mesmo instante, o rapaz manuseou o chicote com maestria, visando agarrar a perna de Cliff. O instrumento jamais alcançou o alvo. Olhando mais uma vez, Cliff pôde ver uma flecha cromada que detinha o chicote no chão. Sorriu.

O segundo cadete tentou impedir Cliff, mas foi abatido facilmente com um golpe de sua maça. Simon desceu da árvore na qual havia se entocado, agora acompanhando a corrida de Cliff.

- Você foi ótimo, cara. – Disse Cliff, sem diminuir o ritmo da corrida.
- Você enfrentou o tiranossauro e pegou o ovo. Eu só fiz a minha parte. – Respondeu Simon, igualmente satisfeito.

Simon e Cliff foram a segunda dupla a chegar com o ovo em mãos. Lutaram mais uma vez no caminho, mas aquelas plantas sugadoras foram facilmente detidas. Alguns minutos depois, os vencedores da prova estavam finalmente reunidos perante o instrutor, que por sua vez, se encontrava pacientemente com um cronômetro em mãos. Os que falharam chegaram logo após o tempo acabar. A maioria, ferida e exausta, se retirou. O instrutor Sanz voltou-se para as três duplas vencedoras.

- Não poderia esperar menos de vocês. – Disse Sanz, com satisfação. – Agora vão, cadetes. Vistam seus uniformes e me encontrem no hall principal em quinze minutos.

Os cadetes olharam torto, sem entenderem. Cliff resolveu perguntar.

- Achei que esse fosse o exame.

- Não. – Respondeu Sanz. – Essa era a seletiva para ver quem está realmente apto para o exame. – E saiu.

- Realmente, seria fácil demais. – Disse uma terceira voz.

Cliff e Simon direcionaram sua atenção para o rapaz de uma das outras duas duplas finalistas. O garoto sorriu de canto, saindo do Centro de Treinamento em seguida junto dos outros.

O cadete tinha cabelos rebeldes louros de palha e usava mechas esverdeadas. Embora aparentasse um pouco de cansaço, ainda inspirava imponência. Usava uma bermuda larga e um tênis surrado. Sua blusa trazia o símbolo do “Hunters”, um time de hockey de Galbadia. E havia outro fator que chamava atenção naquele rapaz. Algo que chegava a ser bastante incomum. Um símbolo de força e competência.

- Você viu? – Perguntou Simon. Cliff assentiu.

A arma daquele rapaz era uma gunblade.

Capítulo 2 - Simon

Cliff se aproximou dos demais. Ele não sabia, mas sua calma e tranqüilidade excessiva irritavam alguns cadetes mais imorais, estes ficavam dirigindo olhadelas ao garoto. Também não tinha muitos amigos, talvez pelo fato de ser transferido de Galbadia Garden por motivos desconhecidos. Mesmo assim, mantém sempre sua postura bem-humorada e distraída, sempre amistoso, porém não tão sociável. Muitos dos seus colegas duvidavam das verdadeiras ambições do cadete, mas o que ninguém sabe é que Cliff almeja se tornar um SeeD para mostrar-se de valor e, quem sabe assim, arrumar um grupo também de valor.

O instrutor fez um aceno discreto para que Cliff se juntasse aos demais, mas de fato o rapaz não estava atrasado. Quando o restante dos cadetes chegou, formando um grupo num total de dezesseis, o instrutor ordenou que formassem uma linha reta. Cliff o observou.

O instrutor Sanz era um homem alto e esbelto, e vestia roupas casuais. Possuía uma expressão de desleixo, somada aos cabelos negros desordenados e uma barba não-feita há dias. Apesar de tudo, tinha uma postura séria. Não carregava arma alguma.

- Quero que se dividam em duplas.

Antes que Cliff se virasse para procurar alguém, sentiu seu braço sendo tocado. Virou-se e viu um cadete sorridente que agora lhe dirigia a palavra.

- E aí rapaz, aceita ser meu parceiro?

O rapaz era um pouco mais alto que Cliff e tinha cabelos castanhos que desciam até os ombros, lisos. Usava roupas casuais, um jeans surrado e uma camiseta vermelha. Carregava consigo uma besta carregada com flechas cromadas. Ao dizer aquilo, estendeu a mão para Cliff, num cumprimento que fora retribuído.

- Sem problemas. – Disse Cliff, amigável.
- Sou Simon.
- Sou Cliff.

Antes que pudessem trocar mais palavras, perceberam que todos os cadetes já haviam se organizado, e Sanz voltou a dar instruções. Toda a atenção era voltada para o instrutor.

- A primeira parte do exame é bem simples. Neste lugar hostil e não tão longe daqui, há um ninho de tiranossauro com três ovos. Cada dupla deve me trazer um.

Houve uma pausa, e em seguida, um burburinho. Alguns alunos absorveram a informação mais rápido que outros, houve indignação. Eram três ovos para oito duplas, logo...

- Somente três duplas serão aprovadas de início. – Disse Sanz, antes que algum cadete pudesse completar o raciocínio do instrutor.

Cliff sorriu de canto, e olhou para seu novo parceiro. Simon não parecia ter sua calma abalada, assim como ele. Parece que ele havia se dado bem na parceria com Simon.

- Vocês têm meia hora. – Disse Sanz, por fim.